QUINTA DA BONJÓIA

Localizada nas proximidades da Igreja de Campanhã e da Estrada da Circunvalação, na zona onde está a atual Quinta da Bonjóia existiu uma quinta que pertenceu ao chantre da Sé do Porto, Martim Viegas. Quando este morreu, deixou a propriedade a Maria Martins e ao seu marido, Afonso Dinis, que por sua vez a ofereceram em doação ao cabido da Sé por volta de 1402, em troca de umas missas. A quinta passou então a ser gerida pelos cónegos da Sé. Foi ainda gerida por D. Mécia Aranha e seu esposo, Manuel Gonçalves, mantendo-se na sua família.

Em 1758, a Quinta foi comprada ao cabido por D. Lourenço de Amorim da Gama Lobo, fidalgo-cavaleiro da Casa Real, senhor da Casa do Campo das Hortas (atual Praça da Liberdade, tendo este edifício sido demolido para se abrir a Avenida dos Aliados). Casou com Maria Violante Guimarães, filha de João Antunes Guimarães, um comerciante do Porto cuja quinta tinha paredes meias, a poente, com a de Bonjóia. E foi este D. Lourenço quem mandou construir o palacete que hoje se pode admirar na Quinta de Bonjóia, em 1759.

A autoria do projeto é atribuída a Nicolau Nasoni, mas não há certezas, pois, embora tenha traços e características de outras obras deste notável arquiteto, pode ser obra de um seu discípulo.

A porta principal, na Rua de Bonjóia, está ornamentada com as armas de D. Lourenço (escudo esquartelado de Amorim, da Gama, Lobo e de Magalhães). A casa ficou, mesmo inacabada, conhecida pela sua fachada sul, com uma imponente torre quadrangular a um extremo, e com as suas janelas e portas decoradas com motivos ao gosto rocaille e uma pequena escadaria exterior trabalhada.

Recentemente, e mais uma vez tendo em conta a sua dimensão, os jardins e a casa já demonstram falta de manutenção mas desta vez pela entidade pública.