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DIÁLOGOS ÍMPARES #14 — O Recital de Música

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EXTENSÃO DO ROMANTISMO

O recital de música, tal como é entendido atualmente, um concerto de um único artista num instrumento dedicado a um único género, tem a sua origem mais essencial na atuação do compositor Franz Liszt (1811-1886). Coube ao maior pop star da era pré-fonográfica alterar as convenções, com o seu prestígio por toda a Europa. De início, Liszt fez perceber, simplesmente, que o som do piano se propagaria melhor, se a tampa estivesse aberta em direção ao público. Ele sabia que tocar sem encarar os ouvintes equivalia a proteger-se deles numa espécie de redoma psicológica e, pretendendo divulgar a sua destreza virtuosa sobre-humana ao piano, somente comparável à do ídolo violinista italiano Niccolò Paganini (1782-1840), adotou o posicionamento de perfil, a fim de que o público (o feminino em especial) pudesse apreciar a sua técnica e sua expressão em palco, em fabuloso encantamento. Se, ao longo do Romantismo, a figura do intérprete passou a competir com a do compositor, foi ele o maior responsável por elevar a condição social da sua profissão, após a influência de Beethoven, impondo costumes de forma sem precedentes aos seus pares, tornando empolgante e perdurável esta prática cultural. Já no século 21, os recitais/concertos de laptops apelam positivamente para o mesmo impacto na relação entre a música e a tecnologia.

 

Sofia Lourenço tem sido responsável por uma série de importantes contribuições discográficas para o Património Musical Português. Editou com as mais elogiosas críticas nas revistas Diapason d’Or 2016 e Pianiste C 2016, o CD Portuguese Piano Music: Daddi / Viana da Mota pela editora Naxos/ série Grand Piano. Tem uma carreira ativa como performer em Portugal e no estrangeiro (apresentou-se a solo na China continental no Shangai Oriental Art Center (SHOAC), 2018, e também com Música Portuguesa no Art Link Belgrade Music Festival, 2019. Com várias gravações editadas, são de salientar em 1999 Contemporary Portuguese Compositors: Music for Piano Solo, em 2002 “Estudos e Toccatas” de Carlos Seixas e Domingos Bomtempo, em 2008, “Porto Romântico: Mazurkas e Romanzas”, recentemente reeditado em dezembro de 2019 (SL001) e, por fim, em 2012 o “Duo pour une Pianiste (ou Huit esquisses en duo pour un pianiste)”, para Disklavier, por Jean-Claude Risset (1938- 2016) numa estreia mundial dedicada a ela. É professora de piano na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto desde 1991. Completou o grau Doutor em Música e Musicologia na Universidade de Évora em 2005 sob a orientação de Rui Vieira Nery e Ulrich Mahlert. Desde 2007, é membro do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes – CITAR, da Universidade Católica Portuguesa onde concluiu os seus estudos de Pós-Doutoramento em Música e Musicologia Sistemática. Desde 2017 é membro integrado do grupo de investigação em Estudos Históricos e Culturais em Música do INET-MD (Universidade Nova de Lisboa, Portugal). Atuou como solista ao piano e organizadora (em colaboração com Pedro Monteiro) de setembro de 2021 a março de 2022 em 7 sessões do ciclo “MÚSICA E ROMANTISMO” da Extensão do Romantismo do Museu da Cidade, no Porto.

 

Inscrições

A participação é gratuita e requer inscrição prévia através de preenchimento de formulário. Mais informações através do email mdc.educativo@cm-porto.pt ou (+351) 226057000.
Limite de 40 participantes.

 

ENDEREÇO

Rua de Entre-Quintas, 220 4050-240 PortoLocalização

AUTOCARRO

200, 201, 207, 208, 300, 301, 302, 303, 501, 507, 601, 602, 801

ESTACIONAMENTO

Palácio de Cristal